As 100 melhores falas da história do cinema…
… Em um vídeo de 200 segundos. Emocionante!
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Ontem foi Dia da Toalha, e também Dia do Orgulho Nerd. Não consegui postar a respeito ontem aqui no blog porque, ao contrário do que muita gente esperaria, saí depois do trabalho com o pessoal para beber e bater papo, e foram hoooras com cerveja na mesa. Mas acompanhei durante o dia todas as manifestações de nerdice explícita no Twitter, aonde eu também postei, confessei, comemorei e senti todo o peso desse rótulo que a sociedade impôs àqueles que se atreviam a não ser cool, e que hoje em dia é encarado como um distintivo de honra.
Eu não tenho vergonha de ser nerd, geek, seja lá qual for o rótulo. Exatamente porque hoje ele não “define” mais quem não pega sol, não tem namorado(a), não tem vida. Para a maioria dos que estavam comemorando ontem, ser nerd não é só falar élfico ou Klingon, ou ler revistas em quadrinhos, ou gostar de RPG; também é isso, mas é, principalmente, valorizar a cultura e a educação acima de tudo. Isso em um país em que cultura e educação estão sempre em último lugar na lista de prioridades, a menos que o que você considera como cultura seja só futebol, novela e Big Brother.
Convivo com muitos nerds no meu dia-a-dia e temos vidas que vão bem, obrigada. E daí que eu quase não vou à praia? Eu poderia ir se quisesse, não sigo o parâmetro de que “nerd não vai à praia”, só não é uma prioridade, e nem me sinto mal por isso. E não conheço ninguém que deixa de ir à praia porque “sou nerd”, mas conheço gente que não vai porque “não gosto”. E daí, como isso transforma essa pessoa em alguém pior? Simples: não transforma. Prefiro sair com eles a ir à praia sozinha (e agora tá mais difícil ainda por questões geográficas).
A comemoração do Orgulho Nerd é mais uma oportunidade de celebrar que o estereótipo está caindo (ainda não caiu totalmente, o teste do Fantástico está aí que não me deixa mentir – segundo ele, não sou nada nerd). Não comemoramos o estereótipo, e sim o fato de que aquilo que para nós sempre foi importante hoje movimenta a sociedade, seja a tecnologia, sejam os best-sellers, sejam as enormes bilheterias de “filmes nerds”. Comemoramos o fato de que os nerds normais hoje são maioria, e os “Lambda Lambda Lambda” são espécie em extinção. Principalmente, comemoramos o fato de que podemos ser quem quisermos, sem vergonha, sem estereótipos. Com um rótulo, ainda, mas que não define sua personalidade, talvez apenas indique alguns assuntos pelos quais você se interessa.
Acho ótimo que a mídia aqui no Brasil, e a mídia de massa no exterior, tenha finalmente descoberto um movimento que já acontece há anos (sei que li uma matéria com o título Geek Chic há pelo menos 5 anos na Variety). Mas não consigo evitar a percepção de que esta mídia ainda olha para nós como entretenimento. Fico com a sensação de animal em exibição no zoológico, com pessoas que não entendem realmente o que move esta “tribo” fazendo matérias superficiais e que não fazem jus a tudo o que acontece neste que é nosso maior espaço de movimentação, a internet. E por mais que eu diga que tenho orgulho de ser nerd, me incomoda quando vejo este rótulo sendo aplicado a torto e a direito por pessoas que não entendem, por pessoas que acham que entendem e por pessoas que, como diz o Geek Manifest, acham que são gamers só porque têm um Wii. E às vezes são os próprios nerds que acabam manchando o nome da “classe”.
Eu tenho um problema com modinhas, e como a mídia fabrica essas modinhas para depois acabar com elas sem piedade quando aparece a “next cool thing”. Mas vou ficar feliz se conseguirmos transformar toda essa onda em torno dos nerds em algo produtivo, em mais valorização da educação e mais liberdade para as crianças poderem jogar RPG no recreio sem medo de serem felizes.
No último mês, dois grandes lançamentos nos cinemas agitaram o mundo nerd. Primeiro X-Men Origens: Wolverine chegou inventando uma origem made-for-the-movies para o mutante mais querido da galera; depois, foi a vez de J. J. Abrams mostrar um começo para o Capitão Kirk, Sr. Spock e cia. em Star Trek. Tive uma reação bem diferente em relação a cada filme. Se Wolverine me fez sair do cinema com a sensação de ter visto apenas mais um filme de ação, Star Trek, acima de tudo, emocionou. Que meus amigos mais xiitas do Conselho Jedi não me escutem, mas eu quase chorei.
Estas reações, tão diferentes, me fizeram pensar em por que eu gosto de determinados filmes, alguns até ruins, e não de outros. Comecei a me perguntar isso quando saí da sessão de Wolverine, em que fui sumariamente zoada pelos meus queridos amigos, que diziam que Wolverine é melhor do que Superman Returns. Para dar o contexto, eu sou fã do Superman, e devo ser uma das poucas pessoas no mundo que não detestou o filme. Por que eu gosto de Superman Returns, que tem um roteiro às vezes tão ruim quanto o de Wolverine, e não me empolguei em nada com o filme do mutante?
A resposta, eu concluí, é a emoção. Tanto Superman Returns quanto Wolverine tem momentos em que você se pergunta no que aqueles roteiristas estavam pensando (Como Lex Luthor planejava chantagear pessoas com terra em que seres humanos não conseguiriam viver, porque era um cristal em que nada poderia ser cultivado ou criado? Por que Wolverine subiu naquele reator nuclear?). Porém, em Superman Returns, Bryan Singer construiu várias cenas que envolvem o espectador com os personagens, que dão um “coração” para o filme. Cenas, enfim, bonitas, em que ele também teve a ajuda excepcional de John Ottman com a trilha sonora. Exemplo: a cena em que Clark e Lois estão no Planeta Diário para trabalharem em uma matéria. Lois sobe para o telhado do prédio e Clark a acompanha com o olhar, usando a visão de raio x para continuar acompanhando enquanto o elevador sobe. A direção, trilha sonora e mesmo a atuação nesta cena, e toda a continuação com a conversa dos dois no telhado e o vôo sobre Metrópolis, são emocionantes. Estas cenas, como a do avião no início e todas as que envolvem Marlon Brando me fazem gostar do filme, mesmo que eu não tenha gostado de Lex Luthor (Kevin Spacey é ótimo, mas eu não gosto do Luthor bobo dos filmes), que o Super-Homem tenha um filho e que o filme tenha meia hora a mais do que o necessário.
WTF?
Já em Wolverine, faltou o coração. É só mais um filme de ação, com momentos surreais como Wolvie subindo no reator nuclear para fugir de Deadpool. Por que? Qual o propósito? Ele ia esperar Deadpool subir atrás dele e depois se jogar lá de cima? Esse é o momento que eu realmente não engulo. Mas enfim, não houve relação com os personagens, não houve uma história empolgante, a trilha sonora não faz nenhuma diferença e a direção não teve nada demais. Eu poderia ter visto este filme numa Sessão da Tarde.
Não é a primeira vez que um filme envolvendo os X-Men me faz ter esta reação. Na primeira vez, novamente, Bryan Singer estava envolvido. X-Men III é um filme que tem os mesmos defeitos que Wolverine. É só um filme de ação, showcase de efeitos especiais, parada de mutantes que passam um segundo na tela e somem, sem que haja qualquer menção a personagens importantes para os fãs (você viu Psylocke? Nem eu, mas ela estava lá, segundo os créditos). Brett Ratner pegou tudo o que Bryan Singer construiu nos dois primeiros filmes, todo o envolvimento com os personagens, os conflitos, e colocou isso de lado para dar mais importância a Magneto destruindo a Golden Gate. O dinheiro que ele gastou com efeitos especiais poderia ter sido melhor empregado em roteiristas.
Relendo os dois últimos parágrafos, acho que fica bem claro que Bryan Singer é um dos meus diretores preferidos. Mas isso não vem ao caso.
O que eu concluí disso tudo: para mim, boa direção e trilha sonora podem, muitas vezes, salvar um filme com roteiro fraco. Mas nada salva um filme sem coração.
Como só hoje vou conseguir assistir o episódio, comemoro meu finale day hoje. Em homenagem a este dia tão feliz, um vídeo com o qual muita gente vai se identificar:
Dica da Bel, do Geek me Up.
Não, eu nunca confundiria os dois. Mas…
Deu n’O Globo: Hugh Jackman chega ao Rio para promover X-Men Origens: Wolverine esta quarta-feira. Adoraria que ele ficasse até o fim de semana, quem sabe não dá para esbarrar nele na praia ou algo assim? Afinal, ele é a melhor coisa de Wolverine (um post sobre o filme, que eu vi na sexta-feira, está à caminho).
Tietagens à parte, o que me interessou no artigo do Globo sobre a visita foi este parágrafo:
“Já era esperado que “Wolverine” fosse o primeiro lugar no ranking do fim de semana, mas as cifras ultrapassaram as expectativas da Fox, distribuidora do filme, que temia que a cópia vazada na internet um mês atrás prejudicasse os rendimentos.”
A indústria do entretenimento está cheia de exemplos que mostram que downloads de filmes/séries não são os vilões. Eu esperaria que os executivos de estúdios enxergassem estas situações e passassem a entender como a internet e os fãs funcionam. Mas eu sei que é pedir muito, então vou continuar minha amizade com Paul Torrent, comprando os boxes das minhas séries favoritas e vendo na TV quando dá tempo.