De Volta! No embalo de Harry Potter
A vida de vez em quando tem um jeito de fazer a gente focar em uma coisa e não conseguir olhar para o lado. Eu estava assim nos últimos dois meses mas, felizmente, acabou!
E foi bem a tempo da estréia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, que vi na quarta-feira em uma pré-estréia à meia-noite. Há muito tempo que não ia em uma sessão de cinema de madrugada, e talvez não tenha sido uma boa idéia fazer isso no estado de cansaço em que eu estava: admito que teve uma hora no filme em que eu quase dormi. Mas o cinema estava cheio, gente fantasiada, gente gritando, gente chorando, ou seja, todos os ingredientes de uma boa pré-estréia.
Que pena que o filme não atingiu minhas expectativas, depois do bom Harry Potter e a Ordem da Fênix. Mais uma vez o roteirista foi Steve Kloves, o mesmo que adaptou todos os outros filmes à exceção do quinto. E em todos estes filmes eu tenho o mesmo problema com Kloves: ele não consegue adaptar o livro e manter a profundidade da história e dos personagens. Kloves se perde entre as tramas paralelas e os vários personagens, tenta dar atenção a todos e acaba não dando atenção a ninguém. A revelação de quem é o Príncipe Mestiço acontece e, sem que a trama tenha sido bem trabalhada, não passa de um momento “ah, ok”. Porque o Príncipe, que dá título ao filme (!), não teve grande importância no todo. Arrisco dizer até que, quando é revelado quem é o Príncipe, ninguém está nem ligando mais.
Além disso, senti como se Kloves e David Yates, o diretor, estivessem fazendo de tudo para mostrar que os meninos cresceram e estão tão interessados em acabar com Voldemort quanto em namorar. Aliás, pareceu que eles estavam mais interessados nos namoros do que em lutar contra o mal, o que me leva a achar que algo saiu errado na hora de levar para a tela esse conflito. Não houve conflito, na verdade, ninguém pareceu dividido ou preocupado.
Como não acompanhei todas as noticias da produção, não sei porque a Warner não renovou com Michael Goldenberg. Ele, sim, conseguiu colocar Harry Potter e a Ordem da Fênix no cinema e manter o que era necessário para que o filme não fosse uma fina colcha de retalhos. Espero que Kloves consiga acertar pelo menos no último livro, já que ele vai ser dividido em dois filmes. Quem sabe assim o trabalho fica mais fácil para ele.
Eu vejo… Horcruxes!
Ainda assim, o filme diverte, em grande parte por causa do elenco. Adoro Jim Broadbent, e ele está excelente como Slughorn. Foi o grande destaque do filme para mim, gostei da voz que ele deu para o personagem e a maneira como ele encarnou perfeitamente o que eu considero que seria o Sonserino típico: ambicioso, gosta de luxo, mas não é mal. O momento em que Slughorn praticamente desmonta na frente de Harry na cabana de Hagrid foi um dos pontos altos do filme, para mim. Daniel Radcliffe, aliás, está muito bem. Conseguiu me convencer, especialmente quando tomou a poção Felix Felicis. Acho que foi a sequência mais divertida do filme. Tom Felton também me surpreendeu, ele conseguiu mostrar o medo/orgulho/conflito com que Draco teve que lidar durante todo o filme. Rupert Grint e Emma Watson continuam a mesma coisa, no entanto. E Bonnie Wright, a Ginny, me impressiona por ter um único tom de voz e uma única expressão. Entre as outras crianças, pobre Neville Longbottom, adoro o personagem, mas ele sumiu; e Luna Lovegood ainda é uma das minhas favoritas, Evanna Lynch está bem etérea, como eu imaginei Luna.
Eu só queria saber quando Bellatrix vai deixar de ser louca e vai passar a ser louca e perigosa. Até agora, Helena Bonham-Carter só mostrou o lado louca de pedra de Bellatrix. Sim, ela quebra tudo, sobe na mesa, e ok, matou o Sirius no filme passado. Mas nos livros, Bella é uma ameaça. Se ela está em um lugar, é para sentirem medo. Até agora, só a achei maluca. Não sei se é a atriz que não entrou na personagem, ou se Yates não soube orientá-la, sei que, por enquanto, Bellatrix para mim só a Frini. Entre os outros adultos, além de Jim Broadbent, não posso não mecionar Alan Rickman. É clichê, mas preciso dizer: acho que se ele interpretasse a lista telefônica, eu aplaudiria. E eu gostaria que Maggie Smith tivesse mais espaço como McGonagall, é uma das minhas atrizes favoritas, com uma das minhas personagens favoritas, e juntando todas as suas cenas, deve dar 5 minutos de tela.
Enfim, vale a pena ver o filme no cinema. Gostaria até de ver de novo, com menos sono, para prestar atenção em mais detalhes. Porque se teve uma coisa que ficou na minha cabeça quando saí da sessão foi que não interessa o que dizem os críticos: a saga de Harry Potter é excelente literatura, sim, com alguns momentos épicos que merecem uma tela grande. Saí do cinema querendo comprar toda a coleção e reler tudo.
Ah: para quem ficou curioso, eu quase dormi na cena em que Harry e Dumbledore estão na caverna. Quase dormi mesmo, de bater cabeça. Acordei com o barulhão logo antes dos inferi aparecerem.