Feliz Dia da Toalha!

O dia de hoje é de tripla comemoração. Originalmente o Dia da Toalha, agora também é Dia do Orgulho Nerd. E, claro, marca o aniversário de Star Wars, a estréia no dia 25 de maio de 1977.

Hoje também é dia de final de Lost no AXN, começando às 20h, aliás.

Para comemorar este dia tão cheio de significados, dois vídeos que eu adoro. O primeiro, ainda no clima do tributo a John Williams que rolou sábado no Rio de Janeiro, é o medley feito pelo grupo de comédia Moosebutter que ganhou versão por Corey Vidal. Impossível ouvir estes temas agora e não lembrar dessa letra.

O segundo foi gravado por um amigo meu, em Los Angeles. É o próprio John Williams conduzindo uma orquestra tocando o tema de Star Wars, mas é a platéia que dá o show.

Se ser nerd quer dizer se emocionar com coisas como essas, com cinema, com Star Wars, com Lost e afins, então digo que é muito bom ser nerd.

Parabéns, Império!

É hoje. Há 30 anos, em 21 de maio de 1980, estreava a melhor sequência de todos os tempos. O filme que confirmou o status de ícones pop de vários de seus personagens. Que nos mostrou que os mocinhos também perdem, sofrem, são congelados, têm a mão arrancada. Que tem em sua trilha sonora a marcha mais ameaçadora já ouvida.

Parabéns, O Império Contra-Ataca!

Nos últimos anos, Império foi ultrapassando Retorno como meu filme preferido. Apesar de eu adorar as batalhas em Tatooine e Endor (no espaço, incluindo na Estrela da Morte, não a dos Ewoks), os personagens em Império têm mais vida e foi com esse filme que eu realmente passei a amar Star Wars. Desde a Batalha de Hoth, tensa, com os rebeldes encurralados correndo dos AT-ATs (cena: três walkers atiram nos rebeldes, que correm ao som do tema da Força. Arrepios), até o final, com Luke e Leia descobrindo seu laço pela Força e se preparando para salvarem Han Solo. Passando, é claro, por Yoda: sábio, direto, místico. Sua lição sobre a natureza da Força nos faz sentir a energia em volta dele.

Parabéns para George Lucas, talvez um mal diretor e roteirista, mas sem dúvida nenhuma um visionário 10 anos à frente de todos os outros. E méritos para Irvin Kershner e Lawrence Kasdan, por fazerem do filme o que ele é e nos presentearem com alguns diálogos que ficaram gravados na memória coletiva:

Leia: “I’d just as soon kiss a Wookiee!”  Han: “I can arrange that. You could use a good kiss!”

C-3PO: “Sir, the possibility of successfully navigating an asteroid field is approximately 3,720 to 1.”  Han: “Never tell me the odds.”

Darth Vader: “Asteroids do not concern me, Admiral. I want that ship, and not excuses.”

Leia: “Captain, being held by you isn’t quite enough to get me excited.”  Han: “Sorry sweetheart. I haven’t got time for anything else.”

[A Millennium Falcon não liga] Leia: “Would it help if I got out and pushed?”  Han: “It might”

Han: “You like me because I’m a scoundrel. There aren’t enough scoundrels in your life.”

Lando: “Hello, what have we here?”

Leia: “I love you.”  Han: “I know.”

Darth Vader: “The force is with you, young Skywalker, but you are not a Jedi yet.”

Darth Vader: “No, I am your father.”

Darth Vader: “Join me, and together we can rule the galaxy as father and son.”

Yoda: “You must unlearn what you have learned.”

Yoda: “Try not. Do, or do not. There is no try.”

Yoda: “Size matters not. Look at me. Judge me by my size, do you? And well you should not. For my ally is the Force, and a powerful ally it is. Life creates it, makes it grow. Its energy surrounds us and binds us. Luminous beings are we, not this crude matter. You must feel the Force around you; here, between you, me, the tree, the rock, everywhere, yes. Even between the land and the ship.”

O Ars Technica fez um especial com a história por trás do filme; o The Beat diz que Império é o filme que fez nerds serem cool; e para o Io9, Império é o filme que apresentou a tragédia a uma geração. O Omelete tem os comentários de Harrison Ford na exibição especial desta semana. E eu comentei o filme no podcast de semana passada dos Melhores do Mundo.

A melhor fan art de Star Wars. Sério.

Vão dizer que não representa o sonho de milhões de fãs?

Melhor fan art EVER

Dica do @ianblack.

Lindelof e Cuse no Top Ten do Letterman

Esta semana, Damon Lindelof e Carlton Cuse foram ao Late Show with David Letterman para apresentar os Top Ten Spoilers para o final de Lost (que não são spoilers de verdade, claro). O #5 é o melhor de todos.

Harrison Ford em exibição de O Império Contra-Ataca

Foto de Albert L. Ortega

A melhor sequel da história do cinema (ênfase minha) foi exibida ontem no cinema Arclight em Hollywood. O evento é parte de uma iniciativa da LucasFilm, The Empire Gives Back, que promoverá várias ações beneficentes este ano para comemorar os 30 anos de Império e ajudar um grupo de instituições de caridade.

Na platéia da exibição de ontem, vários VIPs e astros de Star Wars, como Ewan McGregor, Billy Dee Williams e os dubladores da série animada The Clone Wars. Mas ninguém chamou mais a atenção do que Harrison Ford. Primeiro porque ele é sem dúvida o maior astro ligado à saga. Segundo, as aparições de Ford em eventos relacionados com Star Wars são muito raras. Então, as poucas ocasiões em que ele se permite falar sobre o filme ou interagir com fãs são sempre um big deal. Ontem, depois do filme, ele participou de uma sessão de perguntas que Pablo Hidalgo, do site oficial de Star Wars, conta como foi aqui.

Mais fotos raras de Star Wars

Realmente, o arquivo da LucasFilm é como a bolsa do Gato Félix: não tem fundo, e toda hora saem mais surpresas de dentro dele. Desta vez, foi a revista Maxim que publicou novas fotos “nunca vistas antes” de Império Contra-Ataca na sua edição deste mês, para comemorar os 30 anos do filme. Realmente, eu nunca tinha visto estas, e se vi não lembro. As minhas favoritas:

Vejam as outras aqui, no site oficial de Star Wars. Espero que todas estas fotos estejam no livro “The Making of The Empire Strikes Back“, porque está ficando difícil acompanhar todas as publicações em várias revistas diferentes.

Hollywood, terra do fair play. Às vezes.

O post de uns dias atrás sobre a carta que George Lucas enviou para os produtores de Lost, parabenizando-os pela série, me lembrou de uma imagem que vi há algum tempo. É um anúncio de página inteira que Lucas comprou na Variety para dar seus parabéns a James Cameron quando Titanic bateu Star Wars como a maior bilheteria da história nos EUA.

Graças ao pessoal do Geekosystem, descobri que isso é uma tradição em Hollywood. Quando Star Wars quebrou o recorde de Tubarão, Steven Spielberg publicou um anúncio de página inteira parabenizando Lucas. Depois E.T. passou Star Wars, mas não há um registro do anúncio da época. Quando a Edição Especial de SW retomou o trono em 1997, Spielberg mais uma vez passou a coroa.

Não são bacanas, esses diretores em Hollywood?

Lost, Across the Sea

Muito já foi dito, debatido e discutido sobre Across the Sea. Rolaram até algumas discussões acaloradas. Eu resolvi meter minha mão nesta cumbuca, correndo o risco de me dizerem que eu “não entendi”, porque eu não consigo ficar quieta vendo as manifestações do que eu acho que são dois extremos, muito como Jacob e o Men in Black: aqueles que gostam de Lost e ponto, não questionam nada, e aqueles que questionam tudo e não param para pensar no que viram.

Meu problema com a sexta temporada de Lost não é a história. O misticismo, a magia, a mitologia da ilha não me incomodam em nada, porque desde sempre Lost para mim foi sobre o embate entre ciência e fé, um assunto que me interessa. Não tem como ficar surpreso ao ver magia em Across the Sea, ela está com a gente desde o primeiro episódio.

O que está me incomodando nesta temporada são algumas escolhas de roteiro que me “tiram” da história. Isso estava relativamente ok no início, quando Lindelof e Cuse ainda estavam armando o cenário. Mas agora, aos 45 do segundo tempo, é difícil de aceitar.

Exemplo: toda a sequência do roubo do Submarino em The Candidate. Qual foi a da bomba? Se eu não entendi, alguém me explique, por favor, mas vejam o que eu peguei do plano do Flocke:

- Se a Kate não levasse um tiro, eles não encontrariam a bomba tão cedo;

- Se eles não encontrassem a bomba, ela não explodiria, eles iriam embora e o Flocke ficaria na ilha;

- Se eles encontrassem a bomba e acreditassem no Jack, ela não explodiria, eles iriam embora e o Flocke ficaria na ilha;

- Se eles encontrassem a bomba 1min30s depois, ela não explodiria, eles iriam embora e o Flocke ficaria na ilha.

Só aí, acho que já é muito “se” para um plano, não? A menos que, como eu li em uma crítica, o Flocke soubesse que tudo aconteceria exatamente da maneira que aconteceu. Afinal, como soubemos no último episódio, ele é especial.

Em Across the Sea eu tive o mesmo problema. Pensando na história, estava tudo ali: a fé e o questionamento, as consequências da fé cega, o início do jogo entre Jacob e seu irmão, o motivo pelo qual estamos assistindo esta série há seis anos. O episódio teve até direta dos produtores: “Every question I answer will simply lead to another question. You should rest. Just be grateful you’re alive.”

Mas aí, no meio do caminho, tem as cenas que me tiram do momento. Como quando a Mother vai confrontar o MiB na câmara da roda, e ele dá esta explicação para o que está fazendo: “It’s a wheel…We’re going to make an opening…one much bigger than this one; and, then I’m going to attach that wheel to a system we’re building. A system that channels the water and the light. And then I’m gonna turn it. And when I do…I’ll finally be able to leave this place”WHAT?

Água? Roda? Luz? WTF? Eu já vi aquela roda funcionando, alguém me explica como eles fizeram aquilo com água, uma roda e um “sistema”? Eu sei que vai ter gente falando que isso é só um detalhe, que não importa no todo. Mas são justamente estes detalhes que, quando eu vejo, me tiram completamente do esquema. Outra: a cena em que o MiB acorda e encontra sua escavação soterrada e sua aldeia dizimada. A Mother fez tudo aquilo sozinha? Ela era um monstro de fumaça? Não parece, já que ela não estava morta. Isto importa no final? Provavelmente não, mas se eu estou assistindo o episódio e me pergunto um “como” para um detalhe banal como este, isto me incomoda. Me tira do clima.

O final do episódio, então, foi a coisa mais esdrúxula que já vi nesta série, e é de Lost que estamos falando aqui. Depois de seis anos nos tratando como espectadores inteligentes, explicando tramas de maneira orgânica, nos dando aqueles ótimos momentos de “ah! então é isso!”, Lindelof e Cuse – logo eles! -  resolveram que somos todos estúpidos e colocaram aquele inacreditável flashback para a 1a. temporada para explicar Adão e Eva. Não lembro disso ter acontecido em nenhum outro momento na série. Por que agora? Por que este mistério especificamente? E por que em um momento em que tudo era tão óbvio? Qual fã de longa data de Lost não sacou exatamente o que iria acontecer antes mesmo de Jacob guardar as pedras? Enfim, balde de água fria.

Across the Sea confirmou, para mim, a idéia de que a ilha é como o Jardim do Éden. Um lugar divino que guarda os segredos da criação e, especialmente, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Aquela que era proibida para o homem, mas da qual ele come o fruto de qualquer maneira, desafiando e questionando a autoridade de Deus em troca de ser igual a ele. Seu destino, a expulsão do Éden, pode ser considerado pior que a morte. O conhecimento é algo ruim para o homem, mas quanto mais ele tem, mais ele quer. O questionamento e a ganância levam à expulsão do paraíso, mas a fé cega também tem consequências ruins. A Dharma Initiative foi para a ilha em busca de conhecimento e foi massacrada; John Locke nunca perdeu sua fé na ilha e foi assassinado. Onde está o balanço?

Na construção do mito, das metáforas, Damon Lindelof e Carlton Cuse são perfeitos. O subtexto em Lost é tão complexo que eu admito que não consigo acompanhar, já que escolhi não mergulhar de cabeça e manter a série como uma experiência de 42 minutos semanais. Talvez por isso não esteja tão empolgada quanto muitos que eu conheço que estudaram a série e seus temas a fundo nestes seis anos, ou não consiga sublimar coisas como a explicação da roda. Estou zen com esse final, acho que a série continua a mesma de sempre, mas essas escolhas, momentos em que você lembra que apesar de toda a subjetividade, Lost também tem um lado objetivo que às vezes é deixado de lado (olha o embate aí de novo), me deixam desapontada e certa de que terei uma decepção no final.

Star Wars, versão Televisa

Quem ouviu minha participação no podcast dos Melhores do Mundo semana passada testemunhou minha admissão de que, parando para pensar, Star Wars tem um quê de novela mexicana. Eu sou seu pai, ela é minha irmã, vou sair do caminho de vocês dois. Por isso, é meio cômico assistir os filmes dublados em espanhol – algumas cenas ficam particularmente engraçadas. Esta aqui mostra como uma cena icônica pode ser reduzida a um momento digno da Televisa:

Outra que eu recomendo é a cena da lareira no Episódio 2. É a única maneira de eu assistir aquele momento sem ficar com vergonha alheia.

George Lucas manda carta para produtores de Lost

Carlton Cuse e Damon LindelofQuem diria, George Lucas assiste Lost. No evento “Lost Live: The Final Celebration” esta semana, uma das muitas comemorações pelo final da série, um executivo da ABC leu uma carta de Lucas para os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof. O que Lucas disse:

Parabéns por conseguirem fazer uma série maravilhosa. Não contem para ninguém… mas quando Star Wars estreou, eu também não sabia para onde tudo iria. O truque é fingir que você planejou tudo antes. Misture alguns problemas paternos e referências a outras histórias – vamos chamá-las de homenagens – e você tem uma série.

Em seis temporadas, vocês conseguiram percorrer tempo e espaço, e não acho que estou sozinho quando digo que eu nunca vi o que estava dobrando a esquina. Agora que tudo está terminando, é impressionante ver o quanto estava planejado desde o início e o quão perfeitamente vocês amarraram tudo. Vocês criaram algo realmente especial. Estou triste porque a série está terminando, mas espero ansiosamente o que vocês farão depois.

Depois disso, Lindelof teria dito: “eu gostaria de me desculpar com o Sr. George Lucas por tudo o que eu disse sobre as prequels…”

Lost está acabando e o episódio desta semana vai me fazer quebrar meu auto-imposto silêncio. Eu só iria escrever sobre a série depois do finale, mas preciso falar sobre Across the Sea. Em breve, em um post perto de você.