O roteiro perdido de O Império Contra-Ataca

Quando revemos O Império Contra-Ataca (o aniversariante mais ilustre deste mês), estão lá os nomes dos roteiristas: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan. O que muita gente não sabe é que a autora de ficção científica Leigh Brackett não teve muita influência no que vimos na tela. Brackett recebeu de George Lucas a tarefa de escrever Império, mas faleceu em decorrência de um câncer alguns meses depois de terminar a primeira versão. Lucas não gostou da visão de Brackett, descartou-a e escreveu mais duas versões, até entregar a história para Lawrence Kasdan – que havia acabado de escrever Os Caçadores da Arca Perdida.

O roteiro de Leigh Brackett só podia ser lido em dois lugares: na biblioteca da Eastern New Mexico University e nos arquivos da LucasFilm. Isto até o site My PDF Scripts conseguir uma versão scaneada do roteiro e publicá-lo, para alegria dos fãs e interessados em cinema. O roteiro causa estranheza hoje, depois de termos sido tão marcados pelo filme. Especialmente se tratando de Império, quando os personagens realmente se desenvolveram. A voz deles é diferente aqui, parece que não são os mesmos. Mas vale como curiosidade, para pensarmos no que poderia ter sido e talvez até apreciarmos mais o resultado final.

Este post é parte das minhas comemorações pelos 30 anos de Império, que sempre brigou com O Retorno de Jedi pelo posto de meu Star Wars favorito. A festança também inclui a minha participação no podcast de hoje dos Melhores do Mundo, que foi divertidíssimo de gravar! Um beijão de obrigada aos meninos, que me deram a oportunidade de falar bem e mal de Star Wars por uma hora, sem interrupções. Adoro. E ainda recebi convites para mais podcasts sobre SW e Superman, minha outra paixão nerd. Ou seja: saí no lucro.

Mas eu não posso encerrar este post sem desejar um feliz aniversário ao cara que começou isso tudo. Parabéns, George Lucas. Obrigada por criar Star Wars, por vender a saga tão bem e não permitir que ela ficasse esquecida em um canto da história, e por possibilitar momentos inesquecíveis da minha vida. Principalmente, obrigada por lançar a Trilogia Clássica sem modificações em DVD. Valeu mesmo.

Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica

Esta semana atualizar o blog foi difícil, mas por um ótimo motivo. Quem me segue no Twitter sabe que estou fazendo o curso de Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica do Pablo Villaça, do Cinema em Cena. São cinco dias, três horas por dia, poderiam ser seis. O curso apresenta os principais conceitos para se entender o Cinema, da linguagem à montagem de som, passando por narrativa, roteiro, direção, fotografia… É uma viagem pela arte, com momentos emocionantes. Minha aula favorita com certeza foi a que falou sobre o fenômeno de identificação no cinema, como nos vemos na tela. Sensacional.

E o Pablo é um ótimo professor. Dá para ver que ele tem completo domínio sobre o assunto, além de ser super bem-humorado e divertido. A aula não fica chata em nenhum momento.

O curso em São Paulo acaba hoje, e o do Rio já está com vagas esgotadas. mas fiquem de olho no blog do Pablo para saber sobre as próximas edições e módulos (o Módulo 2, aparentemente, será sobre forma e estilo). Vale muito a pena.

Ainda neste assunto: a partir de amanhã, o roteirista Robert McKee apresentará seu famoso seminário Story aqui em São Paulo. Ele falará sobre elementos de história, estrutura, estilo e método. Eu comprei o livro, Story 3.0, e como a grana está curta não devo fazer o seminário. Mas vi muita gente recomendando. Se alguém se interessar, ingressos à venda aqui.

Trailer de Super 8, de Steven Spielberg e J.J. Abrams

Dois dos Reis do gênero Sci-Fi trabalhando juntos? Mal posso esperar para ver Super 8, produção de Steven Spielberg com direção de J.J. Abrams. Expectativa alta para o filme que muitos achavam ser um prequel de Cloverfield. Mas o trailer que estreou com Homem de Ferro 2 (lá nos EUA) mostra que talvez não seja bem isso.

Dêem uma olhada aí embaixo e me digam: não tem cara de que vai ser bom?

Anunciando uma gravidez, Sci-Fi style

Jennifer e Jeff queriam anunciar para os amigos que Jennifer está grávida. E fizeram isso da maneira mais cool possível. É o melhor anúncio de gravidez ever.

Abaixo Boba Fett

May the 4th be with you! Hoje é Star Wars Day, que aliás é uma data oficial do calendário de Los Angeles, só que no dia 25 de maio, data de lançamento de A New Hope. Pensando nos filmes, resolvi desabafar. Se você lê este blog já sabe que eu sou fã da Trilogia Clássica. Além disso, tenho uma certa resistência à Trilogia Nova: qualquer coisa relacionada aos novos filmes precisa ser muito boa para vencer essa barreira.

Dito isto, vamos ao motivo do desabafo: camisetas da Celebration V, a convenção oficial de Star Wars que acontece de três em três anos nos EUA, começaram a ser vendidas. A Celebration deste ano vai comemorar os 30 anos de lançamento de O Império Contra-Ataca. Em Império, Darth Vader  mostra porque é um dos maiores vilões do cinema. Ele invade Hoth, mata Almirantes, coloca toda a frota no rastro de Han e Leia, duela Luke em Cloud City e corta a mão dele, enfim, Dark Lord of the Sith mode ON. Império é o filme dele. Portanto, toda a comunicação em torno da convenção, incluindo as camisetas, é focada em Boba Fett.

Hein?

Sério, eu nunca entendi todo o auê em torno de Boba Fett. Eu sei, ele fala de igual para igual com o Vader, “he’s no good to me dead”, bla bla bla. Ele usa máscara e, até 2002, ninguém sabia como ele era, o que dá mais mistério ao personagem. A armadura é legal. Honestamente? Só isso, mais os 5 minutos de cena que ele tem em dois filmes, não são suficientes para me fazer idolatrar o personagem e elegê-lo meu favorito. Ou ter vontade de ler o Universo Expandido para saber mais sobre ele. Jango Fett e o Boba Miguelito do Episódio 2 também não ajudam.

Ainda assim, o culto a Boba Fett nunca me incomodou. Cada um pode gostar do personagem que quiser, afinal de contas. Só que, a partir do momento que dão mais destaque ao vilão secundário do que ao personagem principal da saga inteira, aí me incomoda. Aí eu acho um absurdo.

Isso só confirma o que eu acho desde Episódio 1: Lucas conseguiu esvaziar um ícone da cultura pop, pelo menos para esta nova geração de fãs. Ele transforma Vader em Jake Lloyd, para começar, depois em galã mexicano. No terceiro filme ele começa relativamente bem, com Anakin um pouco menos mala, mas os diálogos confusos e a interpretação mal dirigida culminam no famoso “Nooooo” que até agora é inacreditável para mim.

Tirando a aura vilanesca “mau como o pica-pau” do Vader, fica mais fácil para a Lucas vender o desenho Clone Wars para as crianças. Daí o destaque para os Mandalorianos também. Agora, Vader e os Stormtroopers (toda sexta à noite em uma cantina perto de você) precisam ser os heróis bonzinhos. Agora, Boba Fett tem um rosto, é um dos clones que foram heróis nas Guerras, irmão do Comandante Cody e do Capitão Rex.

Mas será que tudo isso não poderia ter sido feito com mais respeito pelo Homem de Preto? Ele precisava virar um garoto chorão (nos filmes, o desenho até que é bom)? Será que Boba Fett realmente merece destaque na comemoração dos 30 anos de Império, à frente do Vader? Eu, particularmente, acho que não. Não foi a máscara do Boba Fett que eu ganhei com o meu Nescau há anos.

E vocês, o que acham?