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Geeks ‘r us

Eu sei, eu sei, escrevi um post semana passada falado sobre como rótulos são ruins. Mas não tem como fugir. Semana passada deve ter sido a semana mais geek da minha vida, e esta já começou pelo mesmo caminho.

Além do fato de ter passado três dias conhecendo o escritório do Google em BH, onde ficam os engenheiros, voltei para São Paulo na quarta à noite já sabendo que quinta-feira seria um dia importante. Vinton Cerf, VP e Chief Internet Evangelist do Google, além de ser só a pessoa que inventou o protocolo TCP/IP, estava na cidade para o Google Press Summit e iria falar com os Googlers no fim do dia. Para aumentar ainda mais a importância daquela quinta-feira, 28 de maio de 2009, Jens e Lars Rasmussen anunciaram o Google Wave na conferência Google I/O. Estava acompanhando este projeto há algum tempo e estou doida para colocar minhas mãos em um beta key, porque acho que a maneira como o Wave trata a informação é muito mais orgânica que o e-mail. Estava revendo a demo agora e é empolgante ver como o Wave funciona, fica-se com uma sensação de “é óbvio que é assim que deveria ser, porque ainda não é? ” Exemplo? Drag ‘n drop de fotos, editar captions, as notas de reuniões com highlights nos edits! É fantástico. Para quem ainda não viu a demo, lá vai:

Durante a demo, Stephanie Hannon, a gerente de produto, disse que o Wave também é um protocolo, e que a equipe espera que outras pessoas criem serviços baseados no Wave para que as pessoas não fiquem presas a apenas um serviço, que tenham escolha. O que me leva ao ponto alto da semana: a conversa com Vint Cerf.

É ou não é O Arquiteto?

É ou não é O Arquiteto? (Foto by Ricardo Figueiredo)

Mr. Cerf é um gentleman. Simpático, observador e muito, muito inteligente, ele falou com os Googlers durante uma hora sobre o futuro da internet, de onde ela veio e para onde ela vai. Ao se apresentar, disse que veio ao Brasil pela primeira vez em 1975, fazer uma demonstração da ARPANet. ARPANet, gente, a antecessora da internet. Vou confessar, rolou um arrepio quando me dei conta de que ali, na minha frente, estava alguém que tinha visto o início de tudo.

E foi a este início que ele voltou quando falou sobre o desafio atual no mundo da computação. Se naquela época o problema a ser solucionado era a conexão entre computadores à distância, hoje o desafio é conectar as várias clouds existentes: Google, Amazon, Microsoft. Como Stephanie, do Wave, Cerf quer que o usuário possa escolher sair de um serviço para o outro sem perder seus dados e configurações, o que hoje não é possível. Mas para o Arquiteto, isto é uma questão de tempo. Cerf é um grande campeão da tecnologia, diz que não há limites para até onde podemos ir já que o que sabemos é muito pouco se comparado ao que não sabemos. Ele deve saber o que está falando, já que a solução para o primeiro desafio, há mais de 20 anos atrás, foi encontrada por ele.

Um outro ponto levantado por Cerf, e que é uma bandeira que eu levanto sempre que possível, é que as empresas precisam mudar suas atitudes uma vez que “as equações mudaram.” Não adianta “entrar na internet” com cabeça e leis de outras mídias, porque não vai funcionar. Não consigo tirar da cabeça a promoção da Paramount, que premiaria quem encontrasse o R2-D2 que esconderam em Star Trek. Colocaram a promoção no Facebook, mas ela é só para americanos. Resultado: vários comentários reclamando na página da promoção, desgaste de imagem desnecessário. Se você é a lanchonete Joakin’s, aqui em São Paulo, um negócio estritamente local, você não precisa se preocupar em atender Manaus. Talvez um dia, quem sabe, com uma mega-expansão. Mas se você é um estúdio que tem nas mãos uma franquia de sucesso mundial, que tem uma estrutura de distribuição global, pense globalmente. Não dá mais para pensar globalmente e agir localmente, não é mais esse o mundo em que vivemos.

Sei que passei uma hora com o meu chapéu de geek (figura de linguagem, gente, eu não tenho um chapéu escrito geek) firmemente colocado na minha cabeça, ouvindo este senhor simpático falar sobre física quântica, teoria das cordas, botnets, protocolos de rede, data centers e o fim do universo consumido por energia escura (que ele definiu como “crappy”), com a certeza de que, se a conversa durasse mais três horas, provavelmente seriam mais três horas divertidíssimas. Nunca me senti tão geek como nesse momento, e reitero o que sempre disse: nós nos divertimos muito mais do que os outros.

Dia do Orgulho Nerd – Impressões Depois do Fato

rebelallianceOntem foi Dia da Toalha, e também Dia do Orgulho Nerd. Não consegui postar a respeito ontem aqui no blog porque, ao contrário do que muita gente esperaria, saí depois do trabalho com o pessoal para beber e bater papo, e foram hoooras com cerveja na mesa. Mas acompanhei durante o dia todas as manifestações de nerdice explícita no Twitter, aonde eu também postei, confessei, comemorei e senti todo o peso desse rótulo que a sociedade impôs àqueles que se atreviam a não ser cool, e que hoje em dia é encarado como um distintivo de honra.

Eu não tenho vergonha de ser nerd, geek, seja lá qual for o rótulo. Exatamente porque hoje ele não “define” mais quem não pega sol, não tem namorado(a), não tem vida. Para a maioria dos que estavam comemorando ontem, ser nerd não é só falar élfico ou Klingon, ou ler revistas em quadrinhos, ou gostar de RPG; também é isso, mas é, principalmente, valorizar a cultura e a educação acima de tudo. Isso em um país em que cultura e educação estão sempre em último lugar na lista de prioridades, a menos que o que você considera como cultura seja só futebol, novela e Big Brother.

Convivo com muitos nerds no meu dia-a-dia e temos vidas que vão bem, obrigada. E daí que eu quase não vou à praia? Eu poderia ir se quisesse, não sigo o parâmetro de que “nerd não vai à praia”, só não é uma prioridade, e nem me sinto mal por isso. E não conheço ninguém que deixa de ir à praia porque “sou nerd”, mas conheço gente que não vai porque “não gosto”. E daí, como isso transforma essa pessoa em alguém pior? Simples: não transforma. Prefiro sair com eles a ir à praia sozinha (e agora tá mais difícil ainda por questões geográficas).

A comemoração do Orgulho Nerd é mais uma oportunidade de celebrar que o estereótipo está caindo (ainda não caiu totalmente, o teste do Fantástico está aí que não me deixa mentir – segundo ele, não sou nada nerd). Não comemoramos o estereótipo, e sim o fato de que aquilo que para nós sempre foi importante hoje movimenta a sociedade, seja a tecnologia, sejam os best-sellers, sejam as enormes bilheterias de “filmes nerds”. Comemoramos o fato de que os nerds normais hoje são maioria, e os “Lambda Lambda Lambda” são espécie em extinção. Principalmente, comemoramos o fato de que podemos ser quem quisermos, sem vergonha, sem estereótipos. Com um rótulo, ainda, mas que não define sua personalidade, talvez apenas indique alguns assuntos pelos quais você se interessa.

Acho ótimo que a mídia aqui no Brasil, e a mídia de massa no exterior,  tenha finalmente descoberto um movimento que já acontece há anos (sei que li uma matéria com o título Geek Chic há pelo menos 5 anos na Variety). Mas não consigo evitar a percepção de que esta mídia ainda olha para nós como entretenimento. Fico com a sensação de animal em exibição no zoológico, com pessoas que não entendem realmente o que move esta “tribo” fazendo matérias superficiais e que não fazem jus a tudo o que acontece neste que é nosso maior espaço de movimentação, a internet. E por mais que eu diga que tenho orgulho de ser nerd, me incomoda quando vejo este rótulo sendo aplicado a torto e a direito por pessoas que não entendem, por pessoas que acham que entendem e por pessoas que, como diz o Geek Manifest, acham que são gamers só porque têm um Wii. E às vezes são os próprios nerds que acabam manchando o nome da “classe”.

Eu tenho um problema com modinhas, e como a mídia fabrica essas modinhas para depois acabar com elas sem piedade quando aparece a “next cool thing”. Mas vou ficar feliz se conseguirmos transformar toda essa onda em torno dos nerds em algo produtivo, em mais valorização da educação e mais liberdade para as crianças poderem jogar RPG no recreio sem medo de serem felizes.

World of PaperCraft

Sempre quis tirar um tempo para fazer aqueles bonecos de papel fofos, ou papercraft. Achei inclusive um site, o CubeeCraft.com, onde você pode fazer o download do modelo e só montar e colar. Mas depois de ver esta galeria de personagens de WarCraft feitos de papel, me sinto meio intimidada. São trabalhos lindos, com muitos detalhes e em tamanho grande. O meu favorito não poderia ser outro:

Winterspring Frostsaber

Winterspring Frostsaber

We didn’t start the flame war

Qualquer pessoa que já tenha participado de comunidades na rede certamente vai reconhecer alguma parte deste vídeo.

Dica do @alexandremaron