Mais fotos raras de Star Wars

Realmente, o arquivo da LucasFilm é como a bolsa do Gato Félix: não tem fundo, e toda hora saem mais surpresas de dentro dele. Desta vez, foi a revista Maxim que publicou novas fotos “nunca vistas antes” de Império Contra-Ataca na sua edição deste mês, para comemorar os 30 anos do filme. Realmente, eu nunca tinha visto estas, e se vi não lembro. As minhas favoritas:

Vejam as outras aqui, no site oficial de Star Wars. Espero que todas estas fotos estejam no livro “The Making of The Empire Strikes Back“, porque está ficando difícil acompanhar todas as publicações em várias revistas diferentes.

Hollywood, terra do fair play. Às vezes.

O post de uns dias atrás sobre a carta que George Lucas enviou para os produtores de Lost, parabenizando-os pela série, me lembrou de uma imagem que vi há algum tempo. É um anúncio de página inteira que Lucas comprou na Variety para dar seus parabéns a James Cameron quando Titanic bateu Star Wars como a maior bilheteria da história nos EUA.

Graças ao pessoal do Geekosystem, descobri que isso é uma tradição em Hollywood. Quando Star Wars quebrou o recorde de Tubarão, Steven Spielberg publicou um anúncio de página inteira parabenizando Lucas. Depois E.T. passou Star Wars, mas não há um registro do anúncio da época. Quando a Edição Especial de SW retomou o trono em 1997, Spielberg mais uma vez passou a coroa.

Não são bacanas, esses diretores em Hollywood?

Lost, Across the Sea

Muito já foi dito, debatido e discutido sobre Across the Sea. Rolaram até algumas discussões acaloradas. Eu resolvi meter minha mão nesta cumbuca, correndo o risco de me dizerem que eu “não entendi”, porque eu não consigo ficar quieta vendo as manifestações do que eu acho que são dois extremos, muito como Jacob e o Men in Black: aqueles que gostam de Lost e ponto, não questionam nada, e aqueles que questionam tudo e não param para pensar no que viram.

Meu problema com a sexta temporada de Lost não é a história. O misticismo, a magia, a mitologia da ilha não me incomodam em nada, porque desde sempre Lost para mim foi sobre o embate entre ciência e fé, um assunto que me interessa. Não tem como ficar surpreso ao ver magia em Across the Sea, ela está com a gente desde o primeiro episódio.

O que está me incomodando nesta temporada são algumas escolhas de roteiro que me “tiram” da história. Isso estava relativamente ok no início, quando Lindelof e Cuse ainda estavam armando o cenário. Mas agora, aos 45 do segundo tempo, é difícil de aceitar.

Exemplo: toda a sequência do roubo do Submarino em The Candidate. Qual foi a da bomba? Se eu não entendi, alguém me explique, por favor, mas vejam o que eu peguei do plano do Flocke:

- Se a Kate não levasse um tiro, eles não encontrariam a bomba tão cedo;

- Se eles não encontrassem a bomba, ela não explodiria, eles iriam embora e o Flocke ficaria na ilha;

- Se eles encontrassem a bomba e acreditassem no Jack, ela não explodiria, eles iriam embora e o Flocke ficaria na ilha;

- Se eles encontrassem a bomba 1min30s depois, ela não explodiria, eles iriam embora e o Flocke ficaria na ilha.

Só aí, acho que já é muito “se” para um plano, não? A menos que, como eu li em uma crítica, o Flocke soubesse que tudo aconteceria exatamente da maneira que aconteceu. Afinal, como soubemos no último episódio, ele é especial.

Em Across the Sea eu tive o mesmo problema. Pensando na história, estava tudo ali: a fé e o questionamento, as consequências da fé cega, o início do jogo entre Jacob e seu irmão, o motivo pelo qual estamos assistindo esta série há seis anos. O episódio teve até direta dos produtores: “Every question I answer will simply lead to another question. You should rest. Just be grateful you’re alive.”

Mas aí, no meio do caminho, tem as cenas que me tiram do momento. Como quando a Mother vai confrontar o MiB na câmara da roda, e ele dá esta explicação para o que está fazendo: “It’s a wheel…We’re going to make an opening…one much bigger than this one; and, then I’m going to attach that wheel to a system we’re building. A system that channels the water and the light. And then I’m gonna turn it. And when I do…I’ll finally be able to leave this place”WHAT?

Água? Roda? Luz? WTF? Eu já vi aquela roda funcionando, alguém me explica como eles fizeram aquilo com água, uma roda e um “sistema”? Eu sei que vai ter gente falando que isso é só um detalhe, que não importa no todo. Mas são justamente estes detalhes que, quando eu vejo, me tiram completamente do esquema. Outra: a cena em que o MiB acorda e encontra sua escavação soterrada e sua aldeia dizimada. A Mother fez tudo aquilo sozinha? Ela era um monstro de fumaça? Não parece, já que ela não estava morta. Isto importa no final? Provavelmente não, mas se eu estou assistindo o episódio e me pergunto um “como” para um detalhe banal como este, isto me incomoda. Me tira do clima.

O final do episódio, então, foi a coisa mais esdrúxula que já vi nesta série, e é de Lost que estamos falando aqui. Depois de seis anos nos tratando como espectadores inteligentes, explicando tramas de maneira orgânica, nos dando aqueles ótimos momentos de “ah! então é isso!”, Lindelof e Cuse – logo eles! -  resolveram que somos todos estúpidos e colocaram aquele inacreditável flashback para a 1a. temporada para explicar Adão e Eva. Não lembro disso ter acontecido em nenhum outro momento na série. Por que agora? Por que este mistério especificamente? E por que em um momento em que tudo era tão óbvio? Qual fã de longa data de Lost não sacou exatamente o que iria acontecer antes mesmo de Jacob guardar as pedras? Enfim, balde de água fria.

Across the Sea confirmou, para mim, a idéia de que a ilha é como o Jardim do Éden. Um lugar divino que guarda os segredos da criação e, especialmente, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Aquela que era proibida para o homem, mas da qual ele come o fruto de qualquer maneira, desafiando e questionando a autoridade de Deus em troca de ser igual a ele. Seu destino, a expulsão do Éden, pode ser considerado pior que a morte. O conhecimento é algo ruim para o homem, mas quanto mais ele tem, mais ele quer. O questionamento e a ganância levam à expulsão do paraíso, mas a fé cega também tem consequências ruins. A Dharma Initiative foi para a ilha em busca de conhecimento e foi massacrada; John Locke nunca perdeu sua fé na ilha e foi assassinado. Onde está o balanço?

Na construção do mito, das metáforas, Damon Lindelof e Carlton Cuse são perfeitos. O subtexto em Lost é tão complexo que eu admito que não consigo acompanhar, já que escolhi não mergulhar de cabeça e manter a série como uma experiência de 42 minutos semanais. Talvez por isso não esteja tão empolgada quanto muitos que eu conheço que estudaram a série e seus temas a fundo nestes seis anos, ou não consiga sublimar coisas como a explicação da roda. Estou zen com esse final, acho que a série continua a mesma de sempre, mas essas escolhas, momentos em que você lembra que apesar de toda a subjetividade, Lost também tem um lado objetivo que às vezes é deixado de lado (olha o embate aí de novo), me deixam desapontada e certa de que terei uma decepção no final.

Star Wars, versão Televisa

Quem ouviu minha participação no podcast dos Melhores do Mundo semana passada testemunhou minha admissão de que, parando para pensar, Star Wars tem um quê de novela mexicana. Eu sou seu pai, ela é minha irmã, vou sair do caminho de vocês dois. Por isso, é meio cômico assistir os filmes dublados em espanhol – algumas cenas ficam particularmente engraçadas. Esta aqui mostra como uma cena icônica pode ser reduzida a um momento digno da Televisa:

Outra que eu recomendo é a cena da lareira no Episódio 2. É a única maneira de eu assistir aquele momento sem ficar com vergonha alheia.

George Lucas manda carta para produtores de Lost

Carlton Cuse e Damon LindelofQuem diria, George Lucas assiste Lost. No evento “Lost Live: The Final Celebration” esta semana, uma das muitas comemorações pelo final da série, um executivo da ABC leu uma carta de Lucas para os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof. O que Lucas disse:

Parabéns por conseguirem fazer uma série maravilhosa. Não contem para ninguém… mas quando Star Wars estreou, eu também não sabia para onde tudo iria. O truque é fingir que você planejou tudo antes. Misture alguns problemas paternos e referências a outras histórias – vamos chamá-las de homenagens – e você tem uma série.

Em seis temporadas, vocês conseguiram percorrer tempo e espaço, e não acho que estou sozinho quando digo que eu nunca vi o que estava dobrando a esquina. Agora que tudo está terminando, é impressionante ver o quanto estava planejado desde o início e o quão perfeitamente vocês amarraram tudo. Vocês criaram algo realmente especial. Estou triste porque a série está terminando, mas espero ansiosamente o que vocês farão depois.

Depois disso, Lindelof teria dito: “eu gostaria de me desculpar com o Sr. George Lucas por tudo o que eu disse sobre as prequels…”

Lost está acabando e o episódio desta semana vai me fazer quebrar meu auto-imposto silêncio. Eu só iria escrever sobre a série depois do finale, mas preciso falar sobre Across the Sea. Em breve, em um post perto de você.

O roteiro perdido de O Império Contra-Ataca

Quando revemos O Império Contra-Ataca (o aniversariante mais ilustre deste mês), estão lá os nomes dos roteiristas: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan. O que muita gente não sabe é que a autora de ficção científica Leigh Brackett não teve muita influência no que vimos na tela. Brackett recebeu de George Lucas a tarefa de escrever Império, mas faleceu em decorrência de um câncer alguns meses depois de terminar a primeira versão. Lucas não gostou da visão de Brackett, descartou-a e escreveu mais duas versões, até entregar a história para Lawrence Kasdan – que havia acabado de escrever Os Caçadores da Arca Perdida.

O roteiro de Leigh Brackett só podia ser lido em dois lugares: na biblioteca da Eastern New Mexico University e nos arquivos da LucasFilm. Isto até o site My PDF Scripts conseguir uma versão scaneada do roteiro e publicá-lo, para alegria dos fãs e interessados em cinema. O roteiro causa estranheza hoje, depois de termos sido tão marcados pelo filme. Especialmente se tratando de Império, quando os personagens realmente se desenvolveram. A voz deles é diferente aqui, parece que não são os mesmos. Mas vale como curiosidade, para pensarmos no que poderia ter sido e talvez até apreciarmos mais o resultado final.

Este post é parte das minhas comemorações pelos 30 anos de Império, que sempre brigou com O Retorno de Jedi pelo posto de meu Star Wars favorito. A festança também inclui a minha participação no podcast de hoje dos Melhores do Mundo, que foi divertidíssimo de gravar! Um beijão de obrigada aos meninos, que me deram a oportunidade de falar bem e mal de Star Wars por uma hora, sem interrupções. Adoro. E ainda recebi convites para mais podcasts sobre SW e Superman, minha outra paixão nerd. Ou seja: saí no lucro.

Mas eu não posso encerrar este post sem desejar um feliz aniversário ao cara que começou isso tudo. Parabéns, George Lucas. Obrigada por criar Star Wars, por vender a saga tão bem e não permitir que ela ficasse esquecida em um canto da história, e por possibilitar momentos inesquecíveis da minha vida. Principalmente, obrigada por lançar a Trilogia Clássica sem modificações em DVD. Valeu mesmo.

Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica

Esta semana atualizar o blog foi difícil, mas por um ótimo motivo. Quem me segue no Twitter sabe que estou fazendo o curso de Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica do Pablo Villaça, do Cinema em Cena. São cinco dias, três horas por dia, poderiam ser seis. O curso apresenta os principais conceitos para se entender o Cinema, da linguagem à montagem de som, passando por narrativa, roteiro, direção, fotografia… É uma viagem pela arte, com momentos emocionantes. Minha aula favorita com certeza foi a que falou sobre o fenômeno de identificação no cinema, como nos vemos na tela. Sensacional.

E o Pablo é um ótimo professor. Dá para ver que ele tem completo domínio sobre o assunto, além de ser super bem-humorado e divertido. A aula não fica chata em nenhum momento.

O curso em São Paulo acaba hoje, e o do Rio já está com vagas esgotadas. mas fiquem de olho no blog do Pablo para saber sobre as próximas edições e módulos (o Módulo 2, aparentemente, será sobre forma e estilo). Vale muito a pena.

Ainda neste assunto: a partir de amanhã, o roteirista Robert McKee apresentará seu famoso seminário Story aqui em São Paulo. Ele falará sobre elementos de história, estrutura, estilo e método. Eu comprei o livro, Story 3.0, e como a grana está curta não devo fazer o seminário. Mas vi muita gente recomendando. Se alguém se interessar, ingressos à venda aqui.

Trailer de Super 8, de Steven Spielberg e J.J. Abrams

Dois dos Reis do gênero Sci-Fi trabalhando juntos? Mal posso esperar para ver Super 8, produção de Steven Spielberg com direção de J.J. Abrams. Expectativa alta para o filme que muitos achavam ser um prequel de Cloverfield. Mas o trailer que estreou com Homem de Ferro 2 (lá nos EUA) mostra que talvez não seja bem isso.

Dêem uma olhada aí embaixo e me digam: não tem cara de que vai ser bom?

Anunciando uma gravidez, Sci-Fi style

Jennifer e Jeff queriam anunciar para os amigos que Jennifer está grávida. E fizeram isso da maneira mais cool possível. É o melhor anúncio de gravidez ever.

Abaixo Boba Fett

May the 4th be with you! Hoje é Star Wars Day, que aliás é uma data oficial do calendário de Los Angeles, só que no dia 25 de maio, data de lançamento de A New Hope. Pensando nos filmes, resolvi desabafar. Se você lê este blog já sabe que eu sou fã da Trilogia Clássica. Além disso, tenho uma certa resistência à Trilogia Nova: qualquer coisa relacionada aos novos filmes precisa ser muito boa para vencer essa barreira.

Dito isto, vamos ao motivo do desabafo: camisetas da Celebration V, a convenção oficial de Star Wars que acontece de três em três anos nos EUA, começaram a ser vendidas. A Celebration deste ano vai comemorar os 30 anos de lançamento de O Império Contra-Ataca. Em Império, Darth Vader  mostra porque é um dos maiores vilões do cinema. Ele invade Hoth, mata Almirantes, coloca toda a frota no rastro de Han e Leia, duela Luke em Cloud City e corta a mão dele, enfim, Dark Lord of the Sith mode ON. Império é o filme dele. Portanto, toda a comunicação em torno da convenção, incluindo as camisetas, é focada em Boba Fett.

Hein?

Sério, eu nunca entendi todo o auê em torno de Boba Fett. Eu sei, ele fala de igual para igual com o Vader, “he’s no good to me dead”, bla bla bla. Ele usa máscara e, até 2002, ninguém sabia como ele era, o que dá mais mistério ao personagem. A armadura é legal. Honestamente? Só isso, mais os 5 minutos de cena que ele tem em dois filmes, não são suficientes para me fazer idolatrar o personagem e elegê-lo meu favorito. Ou ter vontade de ler o Universo Expandido para saber mais sobre ele. Jango Fett e o Boba Miguelito do Episódio 2 também não ajudam.

Ainda assim, o culto a Boba Fett nunca me incomodou. Cada um pode gostar do personagem que quiser, afinal de contas. Só que, a partir do momento que dão mais destaque ao vilão secundário do que ao personagem principal da saga inteira, aí me incomoda. Aí eu acho um absurdo.

Isso só confirma o que eu acho desde Episódio 1: Lucas conseguiu esvaziar um ícone da cultura pop, pelo menos para esta nova geração de fãs. Ele transforma Vader em Jake Lloyd, para começar, depois em galã mexicano. No terceiro filme ele começa relativamente bem, com Anakin um pouco menos mala, mas os diálogos confusos e a interpretação mal dirigida culminam no famoso “Nooooo” que até agora é inacreditável para mim.

Tirando a aura vilanesca “mau como o pica-pau” do Vader, fica mais fácil para a Lucas vender o desenho Clone Wars para as crianças. Daí o destaque para os Mandalorianos também. Agora, Vader e os Stormtroopers (toda sexta à noite em uma cantina perto de você) precisam ser os heróis bonzinhos. Agora, Boba Fett tem um rosto, é um dos clones que foram heróis nas Guerras, irmão do Comandante Cody e do Capitão Rex.

Mas será que tudo isso não poderia ter sido feito com mais respeito pelo Homem de Preto? Ele precisava virar um garoto chorão (nos filmes, o desenho até que é bom)? Será que Boba Fett realmente merece destaque na comemoração dos 30 anos de Império, à frente do Vader? Eu, particularmente, acho que não. Não foi a máscara do Boba Fett que eu ganhei com o meu Nescau há anos.

E vocês, o que acham?