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Abaixo Boba Fett

May the 4th be with you! Hoje é Star Wars Day, que aliás é uma data oficial do calendário de Los Angeles, só que no dia 25 de maio, data de lançamento de A New Hope. Pensando nos filmes, resolvi desabafar. Se você lê este blog já sabe que eu sou fã da Trilogia Clássica. Além disso, tenho uma certa resistência à Trilogia Nova: qualquer coisa relacionada aos novos filmes precisa ser muito boa para vencer essa barreira.

Dito isto, vamos ao motivo do desabafo: camisetas da Celebration V, a convenção oficial de Star Wars que acontece de três em três anos nos EUA, começaram a ser vendidas. A Celebration deste ano vai comemorar os 30 anos de lançamento de O Império Contra-Ataca. Em Império, Darth Vader  mostra porque é um dos maiores vilões do cinema. Ele invade Hoth, mata Almirantes, coloca toda a frota no rastro de Han e Leia, duela Luke em Cloud City e corta a mão dele, enfim, Dark Lord of the Sith mode ON. Império é o filme dele. Portanto, toda a comunicação em torno da convenção, incluindo as camisetas, é focada em Boba Fett.

Hein?

Sério, eu nunca entendi todo o auê em torno de Boba Fett. Eu sei, ele fala de igual para igual com o Vader, “he’s no good to me dead”, bla bla bla. Ele usa máscara e, até 2002, ninguém sabia como ele era, o que dá mais mistério ao personagem. A armadura é legal. Honestamente? Só isso, mais os 5 minutos de cena que ele tem em dois filmes, não são suficientes para me fazer idolatrar o personagem e elegê-lo meu favorito. Ou ter vontade de ler o Universo Expandido para saber mais sobre ele. Jango Fett e o Boba Miguelito do Episódio 2 também não ajudam.

Ainda assim, o culto a Boba Fett nunca me incomodou. Cada um pode gostar do personagem que quiser, afinal de contas. Só que, a partir do momento que dão mais destaque ao vilão secundário do que ao personagem principal da saga inteira, aí me incomoda. Aí eu acho um absurdo.

Isso só confirma o que eu acho desde Episódio 1: Lucas conseguiu esvaziar um ícone da cultura pop, pelo menos para esta nova geração de fãs. Ele transforma Vader em Jake Lloyd, para começar, depois em galã mexicano. No terceiro filme ele começa relativamente bem, com Anakin um pouco menos mala, mas os diálogos confusos e a interpretação mal dirigida culminam no famoso “Nooooo” que até agora é inacreditável para mim.

Tirando a aura vilanesca “mau como o pica-pau” do Vader, fica mais fácil para a Lucas vender o desenho Clone Wars para as crianças. Daí o destaque para os Mandalorianos também. Agora, Vader e os Stormtroopers (toda sexta à noite em uma cantina perto de você) precisam ser os heróis bonzinhos. Agora, Boba Fett tem um rosto, é um dos clones que foram heróis nas Guerras, irmão do Comandante Cody e do Capitão Rex.

Mas será que tudo isso não poderia ter sido feito com mais respeito pelo Homem de Preto? Ele precisava virar um garoto chorão (nos filmes, o desenho até que é bom)? Será que Boba Fett realmente merece destaque na comemoração dos 30 anos de Império, à frente do Vader? Eu, particularmente, acho que não. Não foi a máscara do Boba Fett que eu ganhei com o meu Nescau há anos.

E vocês, o que acham?

JediCon 10 Anos: eu fui

Sábado passado rolou a JediCon SP 2009, convenção de fãs de Star Wars que, este ano, comemorou 10 anos. As JediCons são organizadas pelos Conselhos Jedi de cada estado. As três primeiras foram anuais no Rio e em São Paulo, mas a partir de 2002 foram várias JediCons por ano com outros estados se juntando à festa: DF, MG, RS, PR, todos eles já organizaram suas JediCon.

Este ano, no entanto, foi muito especial. O Conselho Jedi São Paulo caprichou na organização. A comemoração de 10 anos foi à altura da data, com a participação de Jeremy Bulloch, que interpreta Boba Fett na Trilogia Clássica. Mr. Bulloch chegou em São Paulo na quarta-feira, fez uma noite de autógrafos na quinta-feira, passou pela montagem do evento na sexta e no sábado estava lá no espaço, sempre acompanhado de sua esposa Maureen, e com o pique para um dia inteiro de autógrafos. Sem dúvida, o ponto mais alto de um evento cheio de pontos altos.

Cuidado com Jeremy Bulloch!

Cuidado com Jeremy Bulloch!

Mr. Bulloch foi, realmente, um gentleman, e sua esposa uma lady. Sempre cordiais, sem estrelismos. Depois da noite de autógrafos na quinta, quando a produção ia sair para jantar, em vez de aceitar a oferta para voltarem ao hotel, os dois quiseram ir comer com o pessoal. Num dos momentos mais surreais da minha vida, me vi na praça de alimentação do Market Place tomando uma cerveja com Boba Fett. Ele sentou no meio da galera e lá ficou, conversando, perguntando sobre o Brasil e sobre São Paulo.

No sábado, quando Boba Fett subiu ao palco, o auditório estava lo-ta-do. E Mr. Bulloch não desapontou: mesmo depois de horas sentado autografando fotos, estava super bem-humorado, contando piadas e certo de que a Inglaterra ganharia do Brasil no jogo que estava rolando (arram). Ele contou, por exemplo, que seu teste para Boba Fett aconteceu quando Império já estava sendo rodado. O teste foi, basicamente, vestir a fantasia. Assim que ele colocou tudo, recebeu um “bem-vindo à bordo” e as 4 falas que teria que dizer. E ele ainda conseguiu errar uma delas! Quando Boba está ordenando que os stormtroopers coloquem Han Solo congelado na Slave 1, ele diz: “put Captain Solo in the cargo hold”. Mas Jeremy acabou falando “put Captain cargo in the Solo hold”. A platéia se acabou de rir.

Boba Fett na JediCon

O presidente do CJSP Marcelo Forchin, Cadu Chicaroni, Jeremy Bulloch e Roberto Fabrício

Jeremy ainda falou sobre George Lucas, que ele considera um gênio por conseguir manter SW vivo. Ele até brincou:

- Algumas crianças até gostam de Jar Jar Binks!

Para ele, foi muita sorte o que aconteceu com Boba Fett, que de personagem terciário virou um dos favoritos dos fãs, e hoje tem toda uma cultura (a dos Mandalorianos) criada em torno dele. Quando perguntam a ele o que conseguiu na vida, ele diz:

- Ainda estou trabalhando, eu sou um selo, sou um Lego. O que mais poderia querer?

Ele conta que após uma convenção, estava e casa com um dos filhos e se empolgou falando sobre um relógio do Boba Fett que ganhou. Seu filho foi sucinto: “pai, você é patético”. Outro de seus filhos ainda deu uma zoada em outra ocasião: “não é engraçado, pai? Você colocou um balde na cabeça e ficou famoso”.

Para Jeremy, seu melhor momento nos filmes foi colocar Han Solo (que é seu personagem favorito em SW depois de Boba – em terceiro está Jabba the Hutt) no compartimento de carga da Slave 1. Se ele fosse Jabba, Jeremy disse, ele teria trancado Solo em algum lugar, e não deixado ele exposto, porque era óbvio que Solo conseguiria fugir. Para ele, Han é o segundo personagem mais perigoso de Star Wars (o primeiro é Boba Fett, claro. Quando ele disse isso, alguém na platéia gritou Jar Jar Binks e acabou ganhando um olhar e uma apontada com jeito de “te pego lá fora”. Jeremy ainda falou, com voz de Boba Fett (ou o mais próximo disso 30 anos depois e sem efeitos):

- Jar jar Binks será destruído. Ewoks também.

E a platéia delirando.

Quanto ao destino de Boba Fett, que em O Retorno de Jedi é engolido pelo Sarlacc para ser digerido por 1000 anos, Jeremy não tem dúvidas: o caçador de recompensas continuou vivo dentro do Sarlacc. Como o estômago do bicho é muito espaçoso, ele abriu um restaurante lá dentro, hotéis, criou um time de futebol e começou a cobrar aluguel das outras pessoas que caíram. Boba fett ganhou muito dinheiro, pode até estar no Brasil agora, quem sabe?

Falando em Brasil, Jeremy ficou encantado com o que viu aqui (e ele nem foi ao Rio de Janeiro! :P ), especialmente com os fãs brasileiros. Ele esperava uma recepção calorosa, mas o que encontrou foi além de suas expectativas. Ele mencionou que estava honrado porque, com tantos outros atores mais conhecidos, o pessoal do CJSP o escolheu para vir. Ele nunca imaginou que viria ao Brasil e adorou a oportunidade, pois é fã do futebol brasileiro. Tanto que uma de suas exigências foi conhecer um estádio de futebol: na sexta ele foi ao Museu do Futebol, no Pacaembu, e adorou. Disse que gostou de conhecer mais sobre alguns ídolos e citou Garrincha, Didi, Pelé e outros, que foram inspiração em sua época de jogador de futebol amador (ele era centroavante). Inclusive, Mr. Bulloch disse que está pensando em fazer testes para jogar pela Seleção Brasileira…

O próximo craque brasileiro?

O próximo craque brasileiro?

Mas, no fim das contas, o que deu certo mesmo foi a carreira de ator. Jeremy disse que Boba Fett foi seu trabalho pelo qual teve mais reconhecimento, mas aqueles que foram os melhores que já fez foram três peças de teatro.  Quando perguntado sobre a diferença no processo de produção da primeira para a segunda trilogia SW, Mr. Bulloch disse que trabalhar com blue screen nunca é bom, porque o ator perde as referências espaciais. Sobre as produções de hoje, ele disse que não gosta das edições frenéticas e câmeras rápidas, prefere ver a cena crescer e hoje isso não é possível. E ainda afirmou:

- Em 30 anos, não precisarão mais de atores.

Nem só de Jeremy Bulloch se faz uma JediCon

O evento teve outras atrações, como as já tradicionais palestras e o concurso de fantasias, que a cada ano surpreende mais. As apresentações do coral Coruscanto e do grupo de teatro G3TO empolgaram a platéia. Mas, para mim, o ponto alto do evento (depois de Jeremy Bulloch) foi a apresentação da Banda Marcial de Cubatão.

Banda Marcial de Cubatão

Banda Marcial de Cubatão

A banda é um projeto sócio-cultural da Prefeitura de Cubatão que envolve jovens da cidade. Eles levaram 40 músicos, que regidos pelo maestro Alexandre Gomes, emocionaram a platéia. A primeira música foi um medley dos temas mais importantes da saga, e confesso que na hora que começaram o tema da Princesa Leia eu já estava chorando de soluçar. Ainda bem que, olhando em volta, não era a única. Depois, a banda apresentou um medley de Piratas do Caribe e, para fechar, músicas de Pearl Harbor.

Sério, eram 40 músicos, mas pareciam 100. O som deles é impressionante, a qualidade dos músicos idem. O CJSP está de parabéns por ter conseguido trazê-los.

Reencontros

Pessoalmente, essa Jedicon teve uma emoção especial porque foi a hora de reencontrar os Knights of the Old Republic, a velha guarda que organizou a primeira JediCon e que eu não via há anos. Um dos amigos que revi eu realmente não via desde 1999. Foi legal ver que o que construímos lá atrás, quando nem sonhávamos em trazer atores ou em fazer eventos em lugares tão amplos como o de sábado, cresceu e deu frutos. A galera que pegou a tocha não só não a deixou cair, como ainda a levantaram mais.

Knights of the Old Republic

Knights of the Old Republic

Neste sábado eu aproveitei o evento, mas sei bem como é estar nos bastidores, o corre-corre e nervosismo durante o dia, e a sensação de realização no final. É muito bom ver a felicidade da galera andando pelos corredores, comentando atrações, e comentando nas listas depois. Parabéns ao CJSP por ter dado aos fãs um fim de semana inesquecível!