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De Star Trek a Wolverine, passando por Superman

poster_novo_stNo último mês, dois grandes lançamentos nos cinemas agitaram o mundo nerd. Primeiro X-Men Origens: Wolverine chegou inventando uma origem made-for-the-movies para o mutante mais querido da galera; depois, foi a vez de J. J. Abrams mostrar um começo para o Capitão Kirk, Sr. Spock e cia. em Star Trek. Tive uma reação bem diferente em relação a cada filme. Se Wolverine me fez sair do cinema com a sensação de ter visto apenas mais um filme de ação, Star Trek, acima de tudo, emocionou. Que meus amigos mais xiitas do Conselho Jedi não me escutem, mas eu quase chorei.

Estas reações, tão diferentes, me fizeram pensar em por que eu gosto de determinados filmes, alguns até ruins, e não de outros. Comecei a me perguntar isso quando saí da sessão de Wolverine, em que fui sumariamente zoada pelos meus queridos amigos, que diziam que Wolverine é melhor do que Superman Returns. Para dar o contexto, eu sou fã do Superman, e devo ser uma das poucas pessoas no mundo que não detestou o filme. Por que eu gosto de Superman Returns, que tem um roteiro às vezes tão ruim quanto o de Wolverine, e não me empolguei em nada com o filme do mutante?

superman_returnsA resposta, eu concluí, é a emoção. Tanto Superman Returns quanto Wolverine tem momentos em que você se pergunta no que aqueles roteiristas estavam pensando (Como Lex Luthor planejava chantagear pessoas com terra em que seres humanos não conseguiriam viver, porque era um cristal em que nada poderia ser cultivado ou criado? Por que Wolverine subiu naquele reator nuclear?). Porém, em Superman Returns, Bryan Singer construiu várias cenas que envolvem o espectador com os personagens, que dão um “coração” para o filme. Cenas, enfim, bonitas, em que ele também teve a ajuda excepcional de John Ottman com a trilha sonora. Exemplo: a cena em que Clark e Lois estão no Planeta Diário para trabalharem em uma matéria. Lois sobe para o telhado do prédio e Clark a acompanha com o olhar, usando a visão de raio x para continuar acompanhando enquanto o elevador sobe. A direção, trilha sonora e mesmo a atuação nesta cena, e toda a continuação com a conversa dos dois no telhado e o vôo sobre Metrópolis, são emocionantes. Estas cenas, como a do avião no início e todas as que envolvem Marlon Brando me fazem gostar do filme, mesmo que eu não tenha gostado de Lex Luthor (Kevin Spacey é ótimo, mas eu não gosto do Luthor bobo dos filmes), que o Super-Homem tenha um filho e que o filme tenha meia hora a mais do que o necessário.

WTF?

WTF?

Já em Wolverine, faltou o coração. É só mais um filme de ação, com momentos surreais como Wolvie subindo no reator nuclear para fugir de Deadpool. Por que? Qual o propósito? Ele ia esperar Deadpool subir atrás dele e depois se jogar lá de cima? Esse é o momento que eu realmente não engulo. Mas enfim, não houve relação com os personagens, não houve uma história empolgante, a trilha sonora não faz nenhuma diferença e a direção não teve nada demais. Eu poderia ter visto este filme numa Sessão da Tarde.

Não é a primeira vez que um filme envolvendo os X-Men me faz ter esta reação. Na primeira vez, novamente, Bryan Singer estava envolvido. X-Men III é um filme que tem os mesmos defeitos que Wolverine. É só um filme de ação, showcase de efeitos especiais, parada de mutantes que passam um segundo na tela e somem, sem que haja qualquer menção a personagens importantes para os fãs (você viu Psylocke? Nem eu, mas ela estava lá, segundo os créditos). Brett Ratner pegou tudo o que Bryan Singer construiu nos dois primeiros filmes, todo o envolvimento com os personagens, os conflitos, e colocou isso de lado para dar mais importância a Magneto destruindo a Golden Gate. O dinheiro que ele gastou com efeitos especiais poderia ter sido melhor empregado em roteiristas.

Relendo os dois últimos parágrafos, acho que fica bem claro que Bryan Singer é um dos meus diretores preferidos. Mas isso não vem ao caso.

O que eu concluí disso tudo: para mim, boa direção e trilha sonora podem, muitas vezes, salvar um filme com roteiro fraco. Mas nada salva um filme sem coração.

Star Trek. Quer dizer, Star Wars.

Não, eu nunca confundiria os dois. Mas…